Corpo livre, beleza real: famosas rejeitam padrões e inspiram movimento natural

De Preta Gil a Iza, mulheres celebram suas curvas e incentivam a aceitação. Médica explica como a estética também está mudando nas clínicas
Elas têm curvas, personalidade e não escondem mais o próprio corpo. Celebridades como Preta Gil, Gaby Amarantos, Fabiana Karla, Iza, Mariana Xavier, Juliana Paes, Paolla Oliveira, Thais Carla, Fluvia Lacerda, Isis Valverde e Letticia Munniz estão entre as mulheres que inspiram outras a abandonar a busca por um corpo “perfeito” e a redescobrir a beleza natural que existe nas formas reais.
A tendência do corpo livre vem crescendo nas redes sociais, nas capas de revista e nos tapetes vermelhos, onde cada vez mais artistas aparecem com pouca ou nenhuma maquiagem e sem se preocupar em disfarçar celulites, estrias ou curvas acentuadas. A mensagem é clara: o corpo não precisa ser corrigido para ser aceito.
Essa mudança não é apenas simbólica. Dados recentes mostram que o público está cada vez mais consciente dos impactos dos padrões de beleza irreais. Segundo uma pesquisa da Opinion Box, 70% dos brasileiros acreditam que a mídia ajuda a reproduzir padrões inatingíveis, e 66% já deixaram de usar algum tipo de roupa por não se sentirem confortáveis com o próprio corpo. A mesma pesquisa mostra que 40% das pessoas já enfrentaram problemas de saúde mental ligados à aparência e autoestima — um reflexo direto da pressão estética.
Em contrapartida, cresce a valorização da diversidade e da autenticidade. O mercado plus size, por exemplo, movimentou R$ 9,6 bilhões no Brasil em 2022, segundo a Associação Brasil Plus Size, e 60% das pessoas dizem preferir ver diferentes tipos de corpos nas propagandas. Movimentos como o #bodypositive já ultrapassaram 1 bilhão de interações nas redes sociais e têm ajudado muitas mulheres a se enxergarem com mais compaixão, especialmente aquelas que se sentem fora do padrão tradicional de beleza. E essa representatividade faz diferença: 88% dos entrevistados afirmam se sentir inspirados ao ver mulheres diversas na mídia, e 67% acreditam que a mídia ainda não representa todos os tipos de corpos.
A médica Dra. Danuza Alves, da Clínica Leger, em São Paulo (CRM/SP: 219399), explica que essa mudança de mentalidade também se reflete na forma como as mulheres procuram procedimentos estéticos. “Existe um movimento muito forte de valorização da beleza natural. As pacientes não querem mais transformar seus rostos ou corpos, mas sim realçar o que já têm, de maneira sutil, com naturalidade e respeito às próprias características”, afirma ao GLOBO.
Segundo a especialista, essa nova busca por autenticidade muda até os protocolos dentro das clínicas. “Tratamentos como bioestimuladores, lasers que melhoram a textura da pele sem alterar os traços e tecnologias para estímulo de colágeno são os mais procurados hoje. Eles promovem bem-estar e autoestima, sem a intenção de padronizar”, afirma. Ela também observa que mulheres com todos os tipos de corpos têm se sentido mais confiantes para cuidar de si, não por pressão estética, mas por autocuidado. “A maior transformação é essa: fazer por você, e não pelo olhar do outro”, diz.
Em um cenário onde o natural ganha espaço, essas famosas funcionam como exemplo de liberdade estética. Elas mostram que curvas, textura de pele e traços únicos não precisam ser escondidos — podem, sim, ser celebrados. E mais do que nunca, beleza tem a ver com verdade.
Jessica Estrela Pereira 11940747166 [email protected]